|
Na obra de Guimarães Rosa existem janelas abertas para o insólito, o estranho, o bizarro, o inexplicável. O fantástico que ele nos mostra decorre menos do sobrenatural do que do extraordinário, do fora do comum. Braulio Tavares analisa em A Pulp Fiction de Guimarães Rosa os contos O recado do morro, Um moço muito branco, além de três contos fantásticos escritos por Rosa na juventude e até hoje não reunidos em livro.
No texto sobre O Recado do Morro há um tom descontraído, ocasionais trocadilhos, e um número talvez excessivo de referências aos subgêneros da Fantasia em língua inglesa. Isto se deve ao fato de ser destinado aos leitores de fanzines, para os quais essa nomenclatura, muito usada nas publicações acadêmicas dos EUA e da Grã-Bretanha, faz parte da linguagem corrente.
O termo Pulp Fiction indica um tipo de narrativa de ficção que teve seu auge nas décadas de 1930 e 1940, principalmente nos Estados Unidos. Eram contos publicados nos chamados pulp magazines, que abordavam inúmeros tipos de histórias: guerra, amor, esportes, aviação, faroeste, aventuras marítimas, histórias reais etc., mas os gêneros que deixaram uma marca mais profunda (e passaram a ser mais comumente identificados com esse rótulo) foram o conto policial, a ficção científica, a fantasia e o terror. |