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Foi bonita a festa, pah!
Henrique Magalhães
07.2025
Não se faz 50 anos duas vezes, ressalve-se as exceções. Considerando que logo farei 68 anos, é realmente improvável que Maria dobre a aposta de tempo. Mas isso não importa. Com a vitalidade com que chega aos 50 - ancorada na minha resistência -, ela seguirá firma por mais umas datas.
Maria poderia ter sido só mais uma figurinha desenhada em papel, eventualmente publicada em jornal ou revista, mas a personagem ganhou corpo e espírito, tornou-se minha porta-voz e a de tantos que a acompanham por décadas a fio. Porque ela para, atualiza-se constantemente.
Na década de 1970 lutou contra a ditadura; nos ’80 tratou das pautas “minoritárias" bradando bandeiras feministas, contra o racismo e a discriminação à homossexualidade. Não é pouco, mas não seria tudo. Logo Maria passou a abordar os conflitos do quotidiano, as causas sociais, os costumes. Recentemente voltou à luta política, contra o fascismo que se imiscuiu no poder.
O aniversário de 50 anos de Maria foi uma grande festa, um partilhar de memórias, sonhos e emoções. Na ocasião lançou-se uma antologia que faz um percurso da trajetória dessa guerreira. Como convidadas à mesa, outras "Marias": Naná Garcez, do Editora A União; as professoras da UFPB Nadja Carvalho e Regina Behar; a quadrinista Thaïs Gualberto.
No coro dos afetos, toda a família, amigos e amigas, fãs apaixonados por Maria de longa e recente data, todos em comunhão com o olhar crítico dessa baixinha arretada, que reverbera seu humor irado sem perder lirismo. Meu coração bateu forte, meu estado de espírito foi de exaltação. Uma amiga perguntou-me quando Maria iria abordar a geração prateada. Olhei para ela, de cabelos brancos, e assim também me vi. Maria nem é tão idosa, mas já vislumbra mais um campo de atuação.
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