
Festas juninas para os santos do mês. Imagem internet/divulgação
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A alma do povo são suas festas
Henrique Magalhães
06.2025
Não há nada mais marcante na cultura brasileira que as festas juninas. Tradição que remonta a colonização do país, trazida pelos portugueses, a comemoração festiva dos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro é o grande evento a se espraiar pelo país, principalmente na região Nordeste, onde fincou raizes indissociáveis de sua formação cultural.
As festas juninas que eram a expressão genuína dos sítios e comunidades rurais ganhou as cidades, adaptou-se ao desenvolvimento urbano acelerado, que alterou o perfil do país. Com isso, as comemorações tomaram outros ares: não mais balões, que apesar de belos são prováveis bombas em chamas a incendiar casas e florestas. Os fogos de artifício agora procuram ser silenciosos, para não perturbar as pessoas sensíveis. As fogueiras - tradição das mais icônicas, de origem religiosa - também foram abolidas pra a garantia da saúde da população.

As quadrilhas dão um show de alegria e criatividade. Imagem internet/divulgação
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Contudo, a festa cresceu em formato, com as quadrilhas juninas deixando o caráter caipira caricatural para se tornar exuberantes espetáculos de dança e teatral, com festivais e concursos a demonstrar grande criatividade e luxo. As festas urbanas armaram grandes palcos para concertos de bandas e artistas tradicionais.
As festas juninas são a expressão da música, da dança, da culinária, da indumentária, da cenografia que representam a essência mais profunda da alma brasileira e continuam evoluindo, adaptando-se aos novos tempos, como bem convém às expressões culturais. Muitas cidades investem nas festas atendendo à ansiedade do povo, que se identifica com o clima de magia que resiste às transformações eventuais.
Sejam cidades grandes, com verdadeiros festivais musicais que chegam a centenas de concertos e duram até mais de um mês, como ocorre em Campina Grande, Caruaru, Mossoró, sejam as cidades menores, que investem nas festas como incremento à cultura e o fomento econômico advindo com os turistas de toda parte que visam prestigiar a festa. Mas há também as que dão as costas a esse momento tão especial que contagia o país.

As cidades se enfeitam e dão clima às festas. Imagem internet/divulgação
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Palhano, no Ceará, coloca-se nesse grupo que perdeu o tempo para investir nas festas juninas. Com excessão da comunidade rural da Barbada, cujo padroeiro é São Pedro, junho em Palhano não tem comida de milho, não tem bandeirinhas nem quadrilhas, nem arraiais, nem roupa típica, nem baile ou quermesse, não tem nada, coisa nenhuma.
Talvez a administração pública realize tardiamente, em julho, um festival de quadrilhas na quadra da escola, mas esse evento extemporâneo só realça o descompasso da cidade com a cultura local, com a alma de seu povo, pois uma cidade sem cultura é uma cidade sem alma. Que esse libelo seja a chama simbólica da fogueira a iluminar as noites palhanenses para a retomada das festas juninas.
| Volante Palhanense. Palhano, CE. Editor: Henrique Magalhães. Email: henriquemais@gmail.com |
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