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Maria: 50 anos de vida e de história
Regina Behar
23.07.2025
Comemorar 50 anos de existência de uma personagem de quadrinhos é um feito e tanto. Sabemos que durante muito tempo os quadrinistas lutaram e ainda lutam por reconhecimento de sua arte e por espaços alternativos de produção e distribuição. Fazer arte no Brasil é um desafio e Henrique encarou esse desafio como um verdadeiro militante da causa dos quadrinhos e, sem dúvida, em todos os campos, com a produção de personagens e periódicos autorais e compartilhados, na edição, na pesquisa acadêmica e na promoção da arte nos espaços públicos como é o caso da Gibiteca Henfil, e de eventos na área.
Hoje, como nos pediu Henrique, é dia de festejar e compartilhar nosso afeto e ligação com Maria, essa moça que alcança a maturidade de 50 anos com energia e capacidade expressiva e que continua colocando sua voz na defesa de causas do bem, da vida, da justiça social, de uma ética humana, do pleno respeito às diversidades e as escolhas individuais na expressão do amor. Desse modo, vamos deixar de lado os trabalhos acadêmicos e as teses e falar de Maria como nos toca o coração.

Henrique festeja o aniversário de Maria |
Maria nasceu com a marca de alter ego, de modo que a festa não separa a personagem de seu autor. Suas posições, sua coerência e suas batalhas, são aquelas que marcam a trajetória de seu criador, Henrique. Eles atravessaram juntos a repressão política da ditadura, em forma de pressão e censura, estiveram ao lado dos trabalhadores do campo e da cidade em suas lutas grevistas e pela terra; combateram pela liberdade de escolha afetiva, sendo pioneiros, junto com outros grandes militantes da causa LGBT que hoje ganha acréscimos que demonstram o quanto esses primeiros grupos foram importantes para ampliar os debates sobre a liberdade e o respeito à diversidade das identidades sexuais e das formas de expressão do amor.
Maria tem um lugar reconhecido no universo dos quadrinhos, tanto no Brasil como no exterior, e também em sua terra, que sempre é um lugar difícil de reconhecimento, mas esse chegou junto nessa conjuntura do seu aniversário por iniciativa da Deputada Cida Ramos propositora de um projeto de lei que tornou Maria patrimônio cultural imaterial da Paraíba. Parabéns a ela por mais uma iniciativa em favor da cultura e do reconhecimento das nossas artes e artistas.
Nesse momento de festa, nesse ano de celebração, desejo que Maria continue a brilhar como hoje aos 50, como nos anos de 1970, 80 90 e que continue vibrante e destemida aos 60, 70 e aos 80 anos. Desejamos a ela vida longa, vida plena e a energia provocativa que a faz ser ora “extremamente política”, ora “existencialista e preocupada com a subjetividade e com seus desejos”.
Desejo que ela, em suas metamorfoses mafaldianas, mantenha essa coerência que marca seu padrão de diálogo com os contextos do mundo, dos seus tempos e de sua vida, e continue firme na defesa do que é bom, do que faz bem, de tudo que nos provoca amor e alegria. Torço para que continue se contrapondo às políticas regressivas em todas as esferas, sempre em oposição ao status quo da opressão em todos os aspectos da vida social, sempre gritando bem alto contra “essa gente careta e covarde”.
Viva nossa Maria, “essa força que nos alerta”.
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