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Amante da Heresia
02.2026
O zine punk insurge para mim, a um só golpe, como um impacto estético e informacional incríveis. É indigestão à primeira mastigada. Sua crueza não é um mero meio de expressão ou de intercomunicação. É, propriamente, uma visão de mundo. Mirada que, ao mesmo tempo, nos dá um modo de articular o intelecto e de criar experimentos de sensibilidade. Recombina, monta e cria sentidos com fragmentos, apropriados, desviados e, também, inventados.
Uma mídia para além de sua materialidade. Uma forma de organizar saberes e afetos, para se questionar e propor outros mundos possíveis. Forma tão potente que, não se prende a este ou aquele meio de expressão. Insurge do material impresso, transborda e expande para o vídeo, como ZINeasta, para a música, como muZINista, e para a performance, como p3rformaNZI. Insurgência própria de uma forma de vida identificada por uma verdadeira ZINbiose.
Não só do punk se cria uma ZINesfera pulsante e viva. Mas do gesto primordial das mais diversas formas e iniciativas do faça-vc-mesma que o zine nos evoca. Ciberpajé, um dos precursores das HQs poético-filosóficas, vem dessa diversidade. E em seu ethos zineiro me provoca, Amante da Heresia, a refletir sobre o transbordamento e a expansão faladas acima. Provocação aceita. Eis a realização: ZINbioses – um ensaio sobre os conceitos de Zineasta, muZinista e p3rformaNZI. |