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As histórias em quadrinhos ocuparam largos na mídia no final do século 20, depois de décadas de descaso e perseguição. Todavia, os quadrinhos continuam sendo uma matéria pouco conhecida. Sua definição como uma nova expressão artística não contempla a unanimidade e é mesmo questionada, sendo considerada uma história ilustrada, uma literatura em imagens.
Nesse ensaio, Thierry Groensteen reforça o conceito dos quadrinhos como arte, ao destacar sua linguagem própria – os cortes, as elipses, a paginação – e acrescentamos o balão, as onomatopeias e os inúmeros sinais gráficos tão plenos de representatividade.
Para o leitor habitual, essa teorização parece enclausurar a linguagem em conceitos e definições acadêmicas. No entanto, Thierry aponta o que chama de estranhamento de boa parte das pessoas que nunca leram uma revista em quadrinhos, em particular aquelas que sentiram a repressão sobre essa forma de expressão. A essas pessoas ele atribui a curiosa classificação de anicônico, aquele que não entende os ícones, pessoas com uma formação essencialmente textual. O autor propõe algo como uma pedagogia para as histórias em quadrinhos, com o objetivo de ultrapassar o estágio da educação de leitura da imagem em que nos encontramos.
HM. 09.2026 |