Artlectos e Pós-Humanos nº 3
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Artlectos e Pós-Humanos nº 3
Edgar Franco
João Pessoa: Marca de Fantasia, março 2009. 32p. 14x20cm.
ISSN 1984-6665
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Se há o que podemos chamar de quadrinhos autorais por excelência, isto é o que podemos dizer da obra de Edgar Franco. Egresso dos fanzines desde a década de 1980, Edgar alcançou vôos impensáveis para quem labuta nesse meio. O trabalho de Edgar pode ser encontrado em álbuns independentes de sua própria lavra e pela editora Marca de Fantasia, além de publicações comerciais, como o álbum BioCyberDrama, em parceria com Mozart Couto, lançado pela Opera Graphica.
Com o tempo, o trabalho de Edgar ultrapassou o universo dos quadrinhos, chegando à música eletrônica. Ele só formando toda uma banda, criou o Posthuman Tantra, compondo o ambiente sonoro para suas histórias em quadrinhos. Mais precisamente, para suas HQtrônicas , espécie híbrida de Histórias em Quadrinhos com recursos eletrônicos. Essa linha de pesquisa unindo HQ e novas tecnologias foi a base de sua carreira acadêmica, gerando a tese HQtrônicas: do suporte papel à rede Internet, que se transformou em livro lançado pela Fapesp e Annablume.
No tocante aos quadrinhos, desde cedo Edgar desenvolveu um traço muitíssimo particular para um gênero de HQ que se denominou de Quadrinhos Poéticos, ou Fantasia Filosófica. Nos fanzines autopublicados e em particular na revista Tyli-Tyli/Mandala, lançada nos anos 1990 pela Marca de Fantasia, o trabalho de Edgar destacou-se por seu conteúdo transcendental, quase sempre inquirindo sobre o futuro do universo e sobre o próprio destino da espécie humana. No mundo imaginário de Edgar o futuro inequívoco de é a transmutação do homem em máquina, onde o corpo se tornaria obsoleto e a mente e sua memória seriam armazenadas em um chip, a animar um ser robótico.
Lançada inicialmente pela SM Editora, de José Salles, a revista Artlectos e Pós-Humanos chega ao número 3 sob a chancela da Marca de Fantasia. Em sua publicação exclusiva Edgar dá asas à criação indo a fundo em seu universo mítico e reflexivo, radicalizando numa linguagem textual e visual inconfundível em nossas Histórias em Quadrinhos.
Henrique Magalhães
Resenha
Artlectos e Pós-Humanos #3
Por Matheus Moura
27/04/2009
Ler Edgar Franco é sempre uma surpresa. Não me recordo de nenhum material dele que seja simplista. O autor consegue, invariavelmente, tocar em pontos obscuros da vida humana de forma reflexiva e sem ser demagogo. Isso se repete no terceiro volume da série Artlectos e Pós-Humanos, desta vez publicado pela editora Marca de Fantasia.
Nos volumes anteriores ( #1 e #2 ) Edgar já trazia alguns temas correlacionados. Neste novo lançamento não é diferente. Porém agora o assunto principal é sexo, e por consequência, criação e morte. Já dá para perceber a inclinação sexual pela capa: um vermelho profundo, quase sanguíneo, sem contar a mulher semi-nua. As histórias são Redesign, Tecnognose 2.0, Gênesis Revisto, Arbítrio, Ninfa 2.0, Nanquim, Terra e 333 (publicada originalmente na revista Camiño di Rato ), Oração do Transbiomorfo (a maior história da revista). Uma observação interessante é que quando Edgar nomeia algo com 2.0, ele está fazendo uma releitura ou referência de algo já existente, como por exemplo a Ninfa. No caso da tecnognose , seria ela uma evolução da gnose atual.
Em termos narrativos, para mim o ponto alto ficou com a HQ Gênesis Revisto . Em uma página sem quadros Edgar consegue dar a dinamicidade e a linha de leitura no ponto certo, sem deixar o leitor confuso ou sentindo falta das tradicionais divisões de quadros. Em suma, mais uma vez é um trabalho de vigor e que merece ser apreciado. Melhor o será caso o leitor tenha contato com as revistas anteriores ou obras mais antigas do autor, se não, corre o sério risco de vagar a esmo em um campo desconhecido e espinhento. Vale a pena acompanhar Artlectos e Pós-Humanos.
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