Afrodite no ciberespaço: a era das convergências
Afrodite no ciberespaço: a era das convergências
Cláudio Cardoso de Paiva, Marina Magalhães de Morais e Allysson Viana Martins (orgs.)
SérieVeredas, nº 20
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2010. 232p. Arquivo digital. Gratuito, a pedido.
978-85-7999-017-5
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Em princípio convém explicitar a origem e o significado deste livro, que nasce da confluência de interesses e expectativas de docentes, estudantes de graduação e pós-graduação em Comunicação, todos ligados à temática da cibercultura. O que deveria ser a reunião de trabalhos resultantes das pesquisas do PIBIC e Mestrado terminou por acolher uma rede mais vasta de pesquisadores. Os objetos de estudo e os seus enfoques são diversificados, e em meio a essa diversidade, os autores têm em comum o fato de serem egressos, estudantes e professores dos Departamentos de Comunicação, Mídias Digitais e Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ou vinculados a programas nacionais de pós-graduação. Outro denominador comum consiste na experiência de serem leitores-usuários dos produtos das cibermídias, além de conviverem, trabalharem e estudarem num intervalo histórico caracterizado pela transição dos meios analógicos aos meios digitais.
O opúsculo pode ser visto como uma ressonância dos “jogos de linguagem” que atravessam os processos de comunicação digital e suas interfaces nos domínios da arte, técnica, ciência e política. Isto é, atualiza uma experiência politécnica e interdisciplinar, no campo da Comunicação, cuja identidade vem sendo debatida há mais de meio século. Todavia, sem muita preocupação com a definição de uma identidade ideológica, política, institucional ou epistemológica, o trabalho se empenha em reunir olhares, testemunhos, relatos de vivências e análises realizados no ciberespaço. Desta forma, os textos fornecem os elementos essenciais para a formação de um saber, que se consolida a partir das experiências concretas e reflexões elaboradas no contato interativo com as subculturas do mundo ciber.
Os papers em seu conjunto consistem num pequeno inventário das práticas comunicativas “mediadas por computador”. Traduzem as investigações e “leituras imersivas” dos autores na ambiência informacional contemporânea e exibem as suas “impressões digitais”, inaugurando novos prismas teórico-metodológicos suscitados pelas empiricidades emergentes no contexto da experiência cultural na era da informação. Nessa direção, os estudos de McLuhan, Kerkchove, Di Felice, Santaella, Lévy, Lemos, Primo, Antoun, Silveira, Trivinho, entre outros, têm contribuído para uma epistemologia do ciberespaço.
A Wikipédia, o blog, o Twitter, o Orkut, o webjornalismo, a TV interativa, a “art-net”, os games, as narrativas telemáticas, o marketing digital, a ciberpirataria e o ciberativismo são alguns dos objetos de pesquisa inscritos neste trabalho. Conformam práticas hipermidiáticas recentes, estudadas basicamente por autores pertencentes à chamada geração digital – distintamente de seus pais, professores, predecessores realizam as suas experiências cognitivas, estéticas e políticas, e perfazem as suas interações sociais, midiaticamente, através dos computadores, telefones celulares e outros equipamentos informacionais similares. Logo, trata-se de uma amostra significativa dos estudos de uma geração que está amadurecendo (cognitivamente, eticamente, profissionalmente) em contato direto com as mídias digitais e colaborativas.
Fragmento da apresentação de Cláudio Paiva, professor do Departamento de Comunicação e Turismo da UFPB. |