A Turma do Xaxado:
brasileiros como você
|
A Turma do Xaxado: brasileiros como você
Antônio Cedraz
Série Das tiras coração nº 12.
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005. 52p. 14x20cm.
ISBN 85-87018-54-x
|
Mais que qualquer outro formato de História em Quadrinhos, a tira é o que mais está vinculado ao jornalismo, tendo neste seu veículo preferencial. Criada no início do século XX dentro dos jornais diários, a tira tem como característica a universalidade de sua linguagem, visto que deve ser apreciada por um amplo e diversificado público.
Esta universalidade traz uma grande vantagem para a tira, pois com isto ela pode atingir uma grande difusão ultrapassando fronteiras e adaptando-se a rigor com as condicionantes da indústria cultural. O melhor exemplo desse processo de veiculação é a força das distribuidoras norte-americanas – os syndicates – que exportam as tiras para quase todos os países do mundo.
Esta amplitude de alcance das tiras se por um lado possibilita a profissionalização de seus criadores, por outro lhes obriga a produzir visando uma linguagem mediana, capaz de atingir os mais variados públicos e diversidades culturais. Esta padronização acaba por inibir as expressões artísticas e pessoais particulares, impedindo o surgimento de novas linguagens gráficas e textuais.
Para Edgard Guimarães, as tiras brasileiras se contrapõem a esse padrão de massificação, buscando tratar de temas atuais e não raro com fundo político. Nossas tiras têm uma forte ligação com a charge e o cartum, muitas vezes se confundindo a estes em suas características e aglutinando os elementos de suas linguagens. Este fato se deve ao imediatismo com que a tira é publicada no país. Como não temos grandes distribuidoras que promovam a republicação da tira, os autores têm a liberdade de tratar de temas do cotidiano, abordando os acontecimentos políticos e sociais.
Na apresentação do livro A turma do Xaxado, Edgard reforça que o trabalho de Cedraz procura manter a característica de universalidade, de usar temas intemporais e compreensíveis por qualquer público. Apesar disso, ele introduz em seu trabalho alguns temas pouco afeitos ao padrão internacional, como a corrupção, a exploração do trabalhador, a criminalidade e o problema do menor abandonado. Para Edgard, de modo geral o trabalho de Cedraz resulta em tiras muito bem feitas, onde a contundência do tema é preservada, mesmo com o enfoque humorístico. E sem perder a comunicação fácil com o público leitor.
H. Magalhães |