Marca de Fantasia intensifica produção
Balanço editorial 2011
Cada início de ano fazemos um balanço da produção editorial da Marca de Fantasia referente ao ano anterior; ao mesmo tempo que fazemos a avaliação do caminho percorrido pela editora, traçando suas perspectivas e futuras ações. Desse modo, vejamos como transcorreu o ano de 2011 para essa renitente editora independente.
Como representante da Marca de Fantasia, fui convidados a participar da mesa redonda "Mercado de quadrinhos no Brasil", ao lado de Amaro Braga e Lailson de Hollanda. O evento ocorreu em Recife, na Livraria Cultura, Paço Alfândega, em 27 de janeiro e teve como propósito a comemoração do Dia da História em Quadrinhos Nacional. A organização ficou a cargo do grupo PADA, que edita a revista Prismarte.

Na ocasião, apresentei as perspectivas da editora Marca de Fantasia, com a edição de álbuns de novos e veteranos autores nacionais. Realçou-se a importância do intercâmbio com outros editores independentes do país e do exterior, a exemplo de argentinos e franceses. Destacou-se, também, o trabalho editorial desenvolvido conjuntamente com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB e a possibilidade de se aprofundar as pesquisas acadêmicas sobre a História em Quadrinhos.
Ainda em janeiro a editora foi destaque nos sítios especializados por sua participação no Festival Internacional de La Bande Dessinée d’Angoulême, França. Juntamente com algumas outras publicações independentes nacionais, o fanzine Top! Top! n. 26, lançado em 2010, esteve presente na seleção oficial do aclamado festival, na categoria de publicação independente.
No âmbito dos eventos, a editora organizou em João Pessoa a exposição GAG: o humor é o motor, com as tiras selecionadas na edição do concurso promovido em 2010. As tiras foram expostas no Conjunto de Comunicação, Turismo e Artes da UFPB, entre 8 e 30 de junho, sendo uma ação conjunta com o Núcleo de Artes Midiáticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação dessa universidade.
Em 28 de junho, a convite do professor de Artes Cênicas João Dantas Filho, proferi palestra em Juazeiro do Norte, CE, na Universidade Regional do Cariri (URCA). O tema apresentado, “Edição de Quadrinhos e livros teóricos pelo processo artesanal”, diz respeito diretamente ao processo produtivo da Marca de Fantasia, o que gerou muita surpresa e um diálogo profícuo.
Em outubro, nos dias 18 e 19, realizou-se mais uma versão do seminário Quadrinhos: reflexão e paixão, promovido pela Marca de Fantasia em conjunto com o Namid-PPGC da UFPB. O evento contou com palestra do quadrinista francês Lewis Trondheim, lançamento de álbum de quadrinhos Gênesis apocalípticos + Os inefáveis, desse autor, lançamento da revista eletrônica Imaginário!, e sessão de apresentação de artigos do Grupo de Pesquisa em Humor, Quadrinhos e Games (GP-HQG), além do concurso de tiras humorísticas GAG, pela editora Marca de Fantasia.

Seguiu-se ao seminário uma viagem ao Rio de Janeiro, acompanhando Lewis Trondheim e esposa, para o lançamento do álbum editado pela Marca de Fantasia no Rio Comicom, que ocorreu entre 20 e 23 de outubro. Junto com o lançamento, realizou-se uma concorrida seção de dedicatórias.
Pelo trabalho editorial e acadêmico, participei como membro do Conselho Científico das 1as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos. O evento foi promovido pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo entre 23 e 26 de agosto. Também estive presente com o artigo “As webtirinhas ou tirinhatrônicas ou simplesmente tirinhas digitais: de como os blogs estão transformando este gênero dos quadrinhos”, realizado por Vítor Feitosa Nicolau, sob minha orientação.
Finalizando a participação em eventos, o 5o HQPB, promovido em João Pessoa pelo Grupo Made in PB nos dias 8 e 9 de outubro de 2011 no Espaço Cultural José Lins do Rego, conferiu-me o 1o Prêmio Made in PB de Cultura Pop, na categoria Produção acadêmica. O prêmio diz respeito à edição do livro O rebuliço apaixonante dos fanzines, de minha autoria.
No que tange as publicações, o ano começou com o lançamento do ebook Cafuçu: uma sátira de carnaval, também de minha autoria. Seguiram-se os ensaios em formato digital Crossmídia e Transmídia no Jornalismo: convergência, memória e hipermídia no Globo Esporte, de Allysson Viana Martins; Práticas discursivas contemporâneas: corpo, memória e subjetividade, de JJ. Domingos, Edileide Godoi, Eliza Freitas, Regina Baracuhy, Emmanuele Monteiro, Tânia Pereira; Procurando Nemo e o Monomito, de Raoni Xavier; Tensões políticas e culturais em Rê Bordosa, de Yuri Saladino, e a segunda edição de O rebuliço apaixonante dos fanzines, de Henrique Magalhães.
Em parceria com o Departamento de Mídias Digitais da UFPB, criamos a Série Periscópio, com estudos de Comunicação e outras mídias realizados pelos professores do Demid. Seis livros dessa série receberam número de ISBN em 2011, mas só serão lançados em 2012. São eles: Luz e sombra: significações imaginárias na fotografia do cinema expressionista alemão, de Bertrand Lira; Edgar Franco e suas criaturas no banquete de Platão, de Nadja Carvalho; Fotografia e imprensa: breve itinerário sobre usos e tecnologias, de Derval Golzio; Introdução ao desenho de som: uma sistematização aplicada na análise do longa-metragem Ensaio sobre a cegueira, de Débora Opolski; Ludosofia: a sabedoria dos jogos, de Marcos Nicolau; Narrativas ficcionais da televisão japonesa, de Misaki Tanaka; e No ar: as pequenas notáveis! a experiência de rádios livres no Brasil, de Bertrand Lira.

Na edição de álbuns tivemos dois lançamentos de autores internacionais, o argentino Carne Argentina, de Cristian Mallea e outros; e o francês Gênesis apocalípticos + Os inefáveis, de Lewis Trondheim. O primeiro teve a parceria do grupo editorial independente La Productora; o segundo contou com a participação de l’Association, com patrocínio do Consulado Francês no Rio de Janeiro e da Aliança Francesa de João Pessoa. Ambos os álbuns tiveram tradução de Henrique Magalhães.
Lançou-se também o álbum GAG: o humor é o motor, organizado pelo editor; a 5a edição de Guerra das Ideias, de Flávio Calazans; Messias de Mello e o Espiritismo, organizado por Worney Almeida de Souza; e Mundo Feliz, de Edgard Guimarães.
No campo editorial foi lançada a revista eletrônica Imaginário!, pelo Grupo de Pesquisa em Humor, Quadrinhos, Games e Fanzines, do Namid, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB. Por outro lado, estabelecemos parceria com o Labedisco - Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo, coordenado por Nílton Milanez na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, com o lançamento da versão online da revista O Corpo é Discurso no sítio da editora.
No cômputo geral, foram 14 publicações entre impressas e eletrônicas, com mais seis no prelo. É uma boa produção, que manteve o nível de anos anteriores. Sem dúvida, a edição de livros digitais com os textos teóricos avançaram no catálogo da editora, mas as edições impressas continuaram expressivas, com álbuns seminais das HQ brasileiras e dos quadrinhos independentes internacionais.
Uma reflexão necessária diz respeito à política editorial da editora em vista às edições eletrônicas. Embora seja uma tendência nos países desenvolvidos, a venda dos ebooks continua pouco importante no país, mesmo que os livros sejam vendidos por preço simbólico. Há entre nós o costume arraigado de desfrutar gratuitamente de tudo o que circula na internet, gerando um comportamento curioso: os livros eletrônicos disponibilizados gratuitamente pela Marca de Fantasia, a pedido dos autores, são avidamente procurados; os que têm preço de R$5,00 têm procura irrisória. Portanto, não é o hábito da leitura no suporte digital que está em questão, mas a forma de acesso.
Ainda que essa realidade não pareça dar sinais de mudança a curto prazo, preferimos insistir na produção digital. Além das vantagens incontestáveis desse tipo de publicação, como o baixo custo, a navegabilidade, a utilização de cores e, eventualmente, som e movimento, consideramos que este é um processo que acelera a produção e que é um caminho que se consolidará com a disseminação dos leitores digitais. Os que realmente se interessarem pelas obras não se incomodarão em pagar uma módica quantia, afinal, suspeito que é o valor proibitivo dos produtos culturais e outros no país que ajuda a disseminar a “cultura do domínio público”. Henrique Magalhães
Henrique Magalhães |