Quadrinistas brasileiros comemoram seu dia
Detalhe de painel sobre os precursores dos quadrinhos |
O dia 30 de janeiro é considerado o Dia do Quadrinho Nacional, data que mobiliza os quadrinhistas em todo o país na luta por espaço para publicação e reconhecimento de sua arte. A data faz referência à publicação de “As aventuras de Nhô-Quim ou impressões de uma viagem à Corte”, série de quadrinhos publicada no jornal carioca O Cabrião a partir de 30 de janeiro de 1869. O personagem foi criação do ítalo-brasileiro Angelo Agostini, renomado caricaturista que satirizou a política no período imperial no Brasil. Agostini é o patrono dos quadrinhos brasileiros e seu personagem se destaca, além da qualidade gráfica e textual, como um dos pioneiros nesta arte no mundo.

Amaro Braga, organizador do evento |
Em Pernambuco, o Dia do Quadrinho Nacional foi comemorado antecipadamente no dia 29 de janeiro em Recife, com palestras e exposições sobre os rumos dessa arte no país e no estado. A programação foi organizada pelo sociólogo e professor Amaro Braga, da Faculdade Maurício de Nassau, entidade que sediou o evento. Amaro apresentou em banners e slides uma retrospectiva das histórias em quadrinhos, com ênfase em sua fase pré-industrial e suas ligações estéticas com as artes visuais, destacando as incidências de narrativas sequenciais na pré-história e em várias civilizações antigas. O trabalho de Amaro mostra como a arte rupestre, os hieróglifos, os papiros egípcios, os vasos gregos e os códices maias já apresentavam elementos da chamada arte sequencial.
O evento teve início com uma palestra do cartunista Lailson de Hollanda Cavalcanti, criador do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. Numa apresentação ricamente ilustrada, Lailson fez uma retrospectiva de sua formação e da importância que o festival teve na projeção dos quadrinhos no estado e sua relação com o mundo.
Em seguida tivemos a participação da professora e desenhista Danielle Jamies, que dissertou sobre a produção de história em quadrinhos pernambucana com enfoque histórico e educativo. Danielle é autora da série “Passos perdidos, história desenhada”, sobre a presença dos judeus em Pernambuco e do álbum “Heróis da Restauração Pernambucana”, sobre a reconquista da capitania aos holandeses. Nesses trabalhos Danielle levanta a memória da urbanização dos bairros de Recife, num importante resgate histórico e cultural. Após as duas palestras, formou-se uma mesa com Milson Marins e Arnaldo Luiz, representantes do grupo Pada (Produtora Artística de Desenhistas Associados), com o editor da editora independente Marca de Fantasia, Henrique Magalhães e com o desenhista Pedro Ponzo. O tema para apresentação e discussão foi o “Perfil da produção de quadrinhos no mercado”. Milson Marins explanou sobre a trajetória da revista Prismarte, baluarte dos quadrinhos pernambucanos que chega ao número 51.

Henrique Magalhães traçou seu perfil acadêmico e editorial
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O professor da UFPB Henrique Magalhães apresentou um balanço de sua formação voltada ao estudo dos fanzines e publicações independentes, fez uma retrospectiva de sua produção artística com a criação da personagem “Maria” e seus desdobramentos editoriais até chegar à criação da editora Marca de Fantasia. Em seguida, apresentou a evolução das linhas editoriais de sua editora independente e a consolidação das publicações acadêmicas sobre história em quadrinhos como elemento de destaque da editora gerando grande interesse no público. A experiência editorial com a Marca de Fantasia, segundo Henrique, pode servir de exemplo de resistência dos quadrinhos brasileiros frente a um mercado de massa quase exclusivamente voltado aos quadrinhos estrangeiros. A fundação de mais editoras do gênero pode fomentar um mercado paralelo, que faça circular o melhor dos quadrinhos brasileiros.

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Pedro Ponzo e a produção para o mercado. André Dib, hq e jornalismo
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Pedro Ponzo mostrou que é possível trabalhar com quadrinhos industriais no Nordeste, quando vinculado aos estúdios estadunidenses. Seu enfoque abordou o aspecto profissional e os percalços que isto implica na vaidade artística. Como desenhista do mercado, é preciso muitas vezes abrir mão de sua identidade para continuar publicando. Contudo, reforçou que isto também serve de aprendizagem, num mercado extremamente competitivo. Ponzo relatou a experiência de trabalhar como ghost (desenhista que produz sem o reconhecimento artístico, cujo trabalho é assinado por outro profissional) até ser reconhecido e assinar a primeira edição publicada nos EUA.
O evento encerrou-se com a fala do jornalista André Dib, do Diário de Pernambuco, sobre sua atuação na cobertura dos quadrinhos para revistas e jornais diários. Dib é o único jornalista que têm produzido de forma constante a pauta sobre quadrinhos no estado. Sua apresentação seguiu-se de um breve debate sobre a relação entre a imprensa e os produtores de quadrinhos.
H. Magalhães

Um público seleto prestigiou o evento |
Fotos: Chico/FMN |